Carlos Cruz, ex-apresentador de televisão condenado esta sexta-feira a sete anos de prisão efectiva acusado de quatro crimes (três de abusos sexuais e um de acto com adolescente), afirmou em conferência de imprensa no Hotel Altis, após conhecer a sentença no Campus da Justiça de Lisboa, estar a ser “vítima de uma monstruosidade jurídica”.
“Se me contassem uma história como esta eu diria que é um pesadelo”, afirmou Carlos Cruz, acrescentando que a leitura da sentença “não dita o final mas sim o início de uma luta que não tem o objectivo de me beneficiar apenas a mim, é uma luta pelo País”.
O antigo apresentador de TV diz estar espantado com o facto de terem provado o seu envolvimento no processo de abusos sexuais a crianças com “tantas contradições”.
“Dados provados falam de festas a que nunca fui, locais em que nunca estive. Em que parte do processo fica provado que estive numa casa na Avenida das Forças Armadas ou em Elvas?”, questionou, considerando que o caso da Avenida fas Forças Armadas é “ainda mais surrealista” do que a de Elvas.
Carlos Cruz classifica ainda a sua condenação como “consequência de um preconceito existente no processo”.
“Os senhores juízes que me desculpem, mas parece que estão assustados, e decidiram isto de forma a agradar, no ponto de vista deles, à opinião pública”.
Carlos Cruz estabeleceu ainda uma comparação entre a sua situação com o vivido durante o Estado Novo em Portugal.
“Sem provas da minha culpa fui condenado. Vêm-me à memória os tribunais plenários de antes do 25 de Abril, em que as pessoas eram julgadas sem provas, com a diferença de este processo demorar mais tempo.” Mais à frente, voltou a explicar que o seu caso se assemelha mesmo “à Inquisição”.
O ex-apresentador falou ainda do facto de ter sido visto a entrar numa casa em Elvas “por uma porta secreta, porta essa que foi feita em 2001, sendo que me colocam nesse local muito antes, em início do ano 2000″.
“Nem Spielberg teria tanta imaginação para uma cena destas”, rematou.
Questionado sobre como passara a noite antes de conhecer a sentença, o ex-apresentador declarou apenas: “Dormi menos porque tive que fugir a um carro de papparazzi. Mas esta noite vou dormir melhor”, disse, aludindo ao cansaço.
“O DIA DA MAIOR DESILUSÃO DA VIDA”
Sobre o sentimento que o domina, Carlos Cruz confidenciou que este “é o dia da maior desilusão da sua vida”, mas rejeitou que fosse o pior.
Mais à frente, lembrou que vai publicar a partir desta noite no seu site todo o processo e que nele vão figurar nomes para lá do dos arguidos. Mas rejeitou a ideia de que vá fazer uma lista de novos implicados: “Não faço listas. Não sou a PIDE. A existência desses nomes é-me totalmente indiferente. Houve pessoas que não foram ouvidas e deviam tê-lo sido.”
Cruz falou igualmente de ”massacre mediático” para descrever a cobertura do caso e disse mais: “O Processo Casa Pia não existe há muito tempo. Há muito tempo que existe é o Processo Carlos Cruz. Não me lembro de nenhuma notícia que não tivesse imagens minhas.”
COM SAUDADES DA TV
O apresentador partilhou ainda com os jornalistas o desejo de, talvez um dia, voltar à televisão: “Gostava de fazer televisão. Não faço mal, até tenho algum jeito.”
O julgamento do processo de abusos sexuais na Casa Pia chegou esta sexta-feira ao fim com a leitura do acórdão final, quase seis anos depois de ter começado, tendo Carlos Cruz sido condenado a sete anos de prisão efectiva.
Em tribunal responderam os arguidos Carlos Silvino, ex-motorista da Casa Pia, o ex-provedor da instituição Manuel Abrantes, o médico João Ferreira Diniz, o advogado Hugo Marçal, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o embaixador Jorge Ritto e Gertrudes Nunes, dona de uma casa em Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais.
Seis dos arguidos foram condenados a penas de prisão efectiva, enquanto Gerturdes Nunes foi absolvida.
O colectivo de juízes do caso Casa Pia determinou também, na leitura do acórdão, que seis dos arguidos têm que indemnizar as vítimas com valores que variam, para cada uma, entre 15 mil e 25 mil euros, mas foram absolvidos de indemnizações cíveis.
(fonte: “Correio da Manhã”)













